Vinte anos depois de se tornar um fenômeno cultural, O Diabo Veste Prada está oficialmente de volta — e o retorno não poderia ser mais simbólico. Durante as filmagens de O Diabo Veste Prada 2, Anne Hathaway descreveu a experiência de reencontrar Miranda Priestly em ação como algo “psicodélico”: ver Meryl Streep caminhando à sua frente, novamente no papel da editora-chefe mais temida da ficção, foi como atravessar um portal entre passado e presente. A cena, registrada na Sexta Avenida diante de fãs e celulares erguidos, sintetiza o peso simbólico que o filme ganhou ao longo das décadas.
A sequência, novamente dirigida por David Frankel, acompanha Andy Sachs em seu retorno à revista Runway, agora em um cenário midiático instável, onde o império de Miranda precisa se reinventar para sobreviver. O reencontro com Emily, vivida por Emily Blunt — agora poderosa executiva do mercado de luxo, e com o sempre elegante Nigel, de Stanley Tucci, reforça a ideia de que o tempo passou para todos, mas não apagou as marcas deixadas pela Runway. Pelo contrário: elas amadureceram.
Grande parte do encanto do novo filme está no cuidado em atualizar sem descaracterizar. A figurinista Molly Rogers optou por uma moda menos refém de tendências imediatas e mais comprometida com longevidade e personalidade. Ombreiras, alfaiataria clássica, peças vintage e referências discretas à alta-costura constroem personagens que envelheceram com estilo e consciência. A própria Miranda surge mais contida, elegante e adaptada, sem perder a aura de poder que a transformou em ícone.
Além da estética, O Diabo Veste Prada 2 dialoga diretamente com o presente. A obsessão do público, o frenesi nas redes, a antecipação por spoilers e o culto aos figurinos refletem um mundo onde a cultura pop é consumida antes mesmo de ser lançada. Ainda assim, o filme parece apostar em algo mais simples e raro: o prazer coletivo de se arrumar, ir ao cinema e se deixar levar por uma boa história.
O novo O Diabo Veste Prada se apresenta como um espelho do tempo. Um filme sobre mulheres maduras, poder reinventado, moda como linguagem e a estranha (e deliciosa) sensação de voltar para casa depois de duas décadas.