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Com Cabeça Dinossauro, Titãs ensinou o rock brasileiro a morder
Álbum mais feroz da banda completa 40 anos e ganha turnê comemorativa, em um Brasil ainda atravessado por ruídos.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 04/02/2026 16:35 • Atualizado 04/02/2026 16:36
Música
Cabeça Dinossauro foi colocado entre os maiores álbuns da música brasileira (Foto: Divulgação)

Em 2026, os Titãs celebram quatro décadas de Cabeça Dinossauro, o disco que redefiniu os contornos do rock nacional e marcou definitivamente a trajetória da banda. Lançado em 25 de junho de 1986, em plena ressaca de anos de censura e autoritarismo, o álbum soou como um grito coletivo de ruptura, cru, direto e sem concessões.


Com faixas como “Bichos Escrotos”, “Homem Primata” e “Polícia”, o trabalho rompeu com a estética pop dos discos anteriores e abraçou uma sonoridade mais agressiva, de inspiração punk, refletindo a inquietação de uma geração que tentava reaprender a respirar em liberdade. Produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, o álbum enfrentou temas como repressão, fé, violência e poder com uma franqueza rara para a época, e ainda hoje desconfortável.


Quarenta anos depois, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto decidiram levar esse repertório de volta aos palcos com a turnê Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos. A estreia está marcada para 28 de março de 2026, no Espaço Unimed, em São Paulo.


       Branco Melo, Tony Bellotto e Sergio Britto preparam turnê do disco (Foto: Divulgação)


Para Tony Bellotto, revisitar o álbum é constatar sua impressionante atualidade. Já Sérgio Britto define Cabeça Dinossauro como o momento em que a banda inventou sua própria linguagem: riffs cortantes, vocais gritados e letras sintéticas, capazes de condensar revolta em poucas palavras.

Descrito à época como “violento”, “áspero” e “revolucionário”, o disco foi plenamente reconhecido com o tempo. Em 2007, a Rolling Stone Brasil o colocou entre os maiores álbuns da música brasileira, consagrando-o como um divisor de águas. A frase que batiza o disco, “Cabeça Dinossauro, Pança de Mamute, Espírito de Porco”, tornou-se um símbolo de irreverência e crítica social que atravessou gerações.


O espetáculo comemorativo terá direção de Otávio Juliano, responsável também pelo projeto Titãs Encontro. A realização é da 30e, com apresentação do Itaú, que destacam o caráter histórico do álbum e seu impacto duradouro na cultura brasileira.

Quatro décadas depois, Cabeça Dinossauro segue menos como uma peça de museu e mais como um alerta permanente, barulhento, incômodo e necessário.

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