Com faixas como “Bichos Escrotos”, “Homem Primata” e “Polícia”, o trabalho rompeu com a estética pop dos discos anteriores e abraçou uma sonoridade mais agressiva, de inspiração punk, refletindo a inquietação de uma geração que tentava reaprender a respirar em liberdade. Produzido por Liminha, Vitor Farias e Pena Schmidt, o álbum enfrentou temas como repressão, fé, violência e poder com uma franqueza rara para a época, e ainda hoje desconfortável.
Quarenta anos depois, Branco Mello, Sérgio Britto e Tony Bellotto decidiram levar esse repertório de volta aos palcos com a turnê Titãs – Cabeça Dinossauro 40 anos. A estreia está marcada para 28 de março de 2026, no Espaço Unimed, em São Paulo.

Branco Melo, Tony Bellotto e Sergio Britto preparam turnê do disco (Foto: Divulgação)
Para Tony Bellotto, revisitar o álbum é constatar sua impressionante atualidade. Já Sérgio Britto define Cabeça Dinossauro como o momento em que a banda inventou sua própria linguagem: riffs cortantes, vocais gritados e letras sintéticas, capazes de condensar revolta em poucas palavras.
Descrito à época como “violento”, “áspero” e “revolucionário”, o disco foi plenamente reconhecido com o tempo. Em 2007, a Rolling Stone Brasil o colocou entre os maiores álbuns da música brasileira, consagrando-o como um divisor de águas. A frase que batiza o disco, “Cabeça Dinossauro, Pança de Mamute, Espírito de Porco”, tornou-se um símbolo de irreverência e crítica social que atravessou gerações.
O espetáculo comemorativo terá direção de Otávio Juliano, responsável também pelo projeto Titãs Encontro. A realização é da 30e, com apresentação do Itaú, que destacam o caráter histórico do álbum e seu impacto duradouro na cultura brasileira.
Quatro décadas depois, Cabeça Dinossauro segue menos como uma peça de museu e mais como um alerta permanente, barulhento, incômodo e necessário.