Taylor Swift voltou a brincar com sua própria mitologia. O videoclipe de “Opalite”, segundo single do álbum The Life of a Showgirl, chegou com estética assumidamente retrô, humor autorreferente e uma estratégia de lançamento que privilegiou, no início, apenas Spotify e Apple Music. No YouTube, os fãs encontraram apenas o lyric video, mas o lançamento completo na plataforma ocorreu neste domingo, 8.
Um infomercial caótico como crítica às soluções mágicas
O vídeo abre como um comercial exagerado de TV aberta dos anos 1990. Cores saturadas, narração dramática e promessa milagrosa. O produto fictício, um spray chamado “Opalite”, resolve tudo: términos, crises de amizade, frustrações profissionais e até conflitos com animais de estimação. A sátira funciona como metáfora para o tema central da música: a ideia de que felicidade não é encontrada, mas construída.
A escolha estética reforça uma fase mais irônica de Swift, que questiona a cultura das soluções instantâneas enquanto assume controle da própria narrativa. O nonsense visual não é gratuito, é comentário.
Participações improváveis e bastidores bem-humorados
O clipe reúne um elenco inesperado, como Cillian Murphy, Domhnall Gleeson, Greta Lee, Jodie Turner-Smith, Lewis Capaldi e o apresentador Graham Norton.
Greta Lee surge como cantora em um cenário que evoca a MTV clássica; Jodie Turner-Smith lidera um programa fitness de estética caricata; e Gleeson protagoniza um relacionamento inusitado com um cacto de estimação, uma das cenas mais comentadas.
A origem do projeto tem algo de espontâneo: a ideia nasceu durante participação de Swift no programa de Graham Norton, quando Gleeson brincou que gostaria de estar em um de seus vídeos. Dias depois, segundo a própria cantora, ele recebeu um roteiro por e-mail. A artista descreveu o clipe como “um trabalho de grupo escolar para adultos”, feito com amigos, leveza e liberdade criativa.
A metáfora por trás da pedra artificial
Dentro de The Life of a Showgirl, álbum de 12 faixas apontado como um dos mais confessionais da carreira da cantora, “Opalite” surge como momento de respiro luminoso. A opalite é uma pedra sintética, criada pelo homem. Swift transformou esse detalhe em conceito: se a pedra pode ser fabricada, a felicidade também pode ser construída.
Em entrevistas, ela afirmou que a música fala sobre amadurecimento, autoperdão e a permissão para não ter todas as respostas. Não à toa, a faixa ganhou ainda mais atenção após Travis Kelce revelar, no podcast New Heights, que “Opalite” é sua favorita do disco.
Além do lançamento digital, Swift colocou à venda um single em vinil de 7 polegadas por tempo limitado, incluindo uma faixa exclusiva no lado B, gesto calculado para dialogar com colecionadores e reforçar o caráter nostálgico da era.
Entre o kitsch noventista e a introspecção emocional, “Opalite” se firma como um mini-filme pop sobre aceitar imperfeições e fabricar a própria luz, mesmo que ela pareça, à primeira vista, artificial.