O universo criado por George R. R. Martin sempre foi movido por profecias ambíguas, e quase todas terminam em sangue e fogo. No terceiro episódio de O Cavaleiro dos Sete Reinos, uma previsão sombria lança uma nova luz sobre o destino de Egg, revelado como Aegon Targaryen, e sugere que sua trajetória pode ser mais trágica do que aparenta.
Enquanto uma vidente promete a Dunk uma fortuna maior que a dos Lannister, a mensagem dirigida a Egg muda drasticamente de tom: ele se tornará rei, morrerá em chamas e será celebrado por aqueles que o conheciam. Para quem acompanha o jovem escudeiro de coração gentil, a fala soa como um prenúncio de loucura — evocando figuras como Aerys II Targaryen ou até Daenerys Targaryen. Mas os livros mostram que o desfecho é mais complexo, e cruelmente irônico.
O rei que tentou mudar Westeros
Mesmo sendo o quarto filho de um quarto filho, Egg ascende ao trono como Aegon V Targaryen. Seu reinado dura 26 anos e termina na famosa Tragédia de Summerhall. Um evento devastador que marcou para sempre a história da dinastia.
Obcecado em restaurar os dragões ao mundo, Aegon tenta chocar ovos com fogovivo. O experimento sai do controle e provoca um incêndio catastrófico que destrói o palácio e tira sua vida.
A parte mais traiçoeira da profecia está na afirmação de que “todos que o conheciam se alegrariam” com sua morte. Aegon V foi um rei que governou pensando no povo comum, moldado por décadas como escudeiro de Dunk. Ele confrontou privilégios da nobreza e tentou reformar estruturas injustas, o que lhe rendeu inimigos poderosos na corte. Foram esses lordes e grandes casas que celebraram sua queda, enquanto o povo lamentou a perda de seu maior defensor.
O efeito dominó que moldou Game of Thrones
A Tragédia de Summerhall não foi apenas o fim de um reinado, mas, o início de uma sequência de eventos que culminaria nos desastres vistos em Game of Thrones.
O incêndio ocorreu no mesmo dia do nascimento de Rhaegar Targaryen. A morte de Aegon V e de herdeiros diretos abriu espaço para que seu neto, Aerys II, assumisse o trono. A loucura do Rei Aerys levaria à Rebelião de Robert e ao colapso da dinastia.
Como lembra o sábio Meistre Aemon anos depois, se o destino tivesse seguido outro caminho, talvez Westeros jamais tivesse mergulhado na guerra que moldou o mundo conhecido por Jon Snow e Daenerys.
A profecia, portanto, não previa um tirano, mas um governante cujas boas intenções e obsessão por dragões acabariam pavimentando a tragédia de sua própria linhagem.
Sobre O Cavaleiro dos Sete Reinos
A série acompanha as aventuras de Sor Duncan, o Alto, e seu jovem escudeiro Egg, décadas antes dos acontecimentos de Game of Thrones. Interpretados por Peter Claffey e Dexter Sol Ansell, os personagens cruzam Westeros em histórias que misturam honra, política e presságios sombrios.
Ambientada em um período em que os Targaryen ainda ocupavam o Trono de Ferro, a produção adapta os contos de Martin com supervisão do próprio autor e de Ira Parker, também envolvida em A Casa do Dragão.
A primeira temporada contará com seis episódios. O quinto capítulo estreia no próximo domingo, 15 de fevereiro, na plataforma de streaming da HBO, à meia-noite (horário de Brasília).
Entre fogo, destino e ambição, Westeros prova mais uma vez que toda profecia cobra seu preço.