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Música da noite: quando o samba vira código secreto
Chico Buarque e Gilberto Gil traduzem o Brasil em ritmo, ironia e batida.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 14/02/2026 20:00 • Atualizado 14/02/2026 20:00
Música
Batuque carrega subterrâneos políticos e afetivos em versos (Foto: Divulgação)

“Baticum” é uma fresta. Um encontro entre dois arquitetos da canção brasileira que preferem sugerir a gritar. Chico Buarque costura imagens como quem escreve bilhetes cifrados e Gilberto Gil responde com pulsação, corpo, groove. O resultado é um samba que parece leve, mas carrega subterrâneos políticos e afetivos.

Há algo de ritual na faixa. O batuque que insiste, quase minimalista, cria um espaço onde a palavra dança. “Baticum” soa como roda de conversa depois da tempestade, quando o país ainda tenta entender seus próprios ruídos. Não é música para consumo rápido, é para escuta demorada, com o ouvido colado na entrelinha.

Alternativa porque nunca foi óbvia. Popular porque pulsa. “Baticum” é a prova de que, quando Chico e Gil dividem o mesmo compasso, o Brasil deixa de ser paisagem e vira ritmo. Um código sonoro que só se decifra sentindo.

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