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Álbum reinventa o forró com estética futurista
“eu e o diabo NA TERRA DO SOL” mistura tradição nordestina, beats eletrônicos e identidade contemporânea.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 25/02/2026 15:06 • Atualizado 25/02/2026 15:07
Música
Artista aposta em uma sonoridade que rompe com os formatos tradicionais (Foto: Divulgação)

O cantor e compositor piauiense Wândalo apresentou seu primeiro álbum de estúdio, eu e o diabo NA TERRA DO SOL, trabalho que combina forró, música eletrônica e linguagem cinematográfica para construir uma leitura contemporânea, e ousada, do Nordeste brasileiro.

Natural de Teresina e atualmente radicado em São Paulo, o artista aposta em uma sonoridade que rompe com os formatos tradicionais do gênero, aproximando o forró de elementos urbanos, tecnológicos e experimentais, sem abandonar suas raízes culturais.


O título do disco dialoga diretamente com o clássico Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Em vez de revisitar a estética marcada pela dureza social do cinema novo, Wândalo propõe um universo próprio, mais vibrante, imaginativo e futurista.

“O disco é minha homenagem a esse titã do nosso cinema e também a construção de um Nordeste laico, livre, tecnológico e diverso”, afirma o artista.


Nesse contexto, a figura do cangaceiro surge como símbolo de transformação e resistência, transportada para um cenário quase sci-fi, onde tradição e fantasia convivem em equilíbrio.

Forró entre raízes e sintetizadores

Musicalmente, o álbum alterna composições autorais e releituras de clássicos do forró, conectando instrumentos tradicionais, como zabumba, sanfona e triângulo, a sintetizadores, programações eletrônicas e texturas digitais.

A produção reúne nomes como Gorfo de Panda, Alana Fox, BM Ally e Jeska, reforçando o caráter híbrido do projeto. O resultado é um som que dialoga tanto com a herança nordestina quanto com pistas de dança e referências pop contemporâneas.


Além da experimentação sonora, Wândalo incorpora ao trabalho sua vivência LGBTQIA+, ampliando a narrativa artística e criando conexões entre identidade, território e cultura.

“É uma viagem rumo a um novo Piauí, onde o tradicional encontra o moderno”, resume.


Estética visual entre sertão e ficção científica

O conceito do álbum também se estende ao visual. A capa foi inspirada nas obras do pintor Nonato Oliveira, conhecido pelos retratos de sertanejos em tons solares intensos. A identidade visual ganhou ilustração e maquiagem assinadas pela drag queen Vanessa Cabessa.


O personagem criado mistura referências do cangaço, arte nordestina, anime e ficção científica, como se o sertão atravessasse um portal para um universo pop e futurista.

Nova geração do forró alternativo


Vivendo em São Paulo, Wândalo integra uma nova geração de artistas que expandem as possibilidades do forró contemporâneo. O músico já passou por casas como Jetreme, Brega Dance Clube e Funilaria Bixiga, além de colaborar com nomes da cena alternativa brasileira e compor para outros intérpretes.


Com eu e o diabo NA TERRA DO SOL, o artista estreia em formato de álbum reafirmando o forró como um gênero em constante transformação, capaz de preservar memórias culturais enquanto projeta novos futuros sonoros.

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