O calendário do rock guarda dias que parecem carregar uma energia própria, e 28 de fevereiro é um deles.
Ao longo das décadas, a data reuniu nascimentos de ícones, lançamentos históricos, despedidas marcantes e episódios que ajudam a entender como o rock se reinventa entre glória, caos e memória.
⚡ O nascimento de um espírito rebelde
Em 1942, nascia Brian Jones, fundador dos Rolling Stones e uma das figuras mais enigmáticas da invasão britânica. Multi-instrumentista e mente criativa nos primeiros anos da banda, Jones ajudou a moldar o som cru e experimental que transformaria o rock em linguagem de contestação cultural.

Brian Jones foi um dos arquitetos dos Rolling Stones (Foto: Divulgação)
Quinze anos depois, em 1957, chegava ao mundo Cindy Wilson, voz essencial do B-52’s, grupo que provaria que o rock também podia ser colorido, irônico e dançante, antecipando a estética alternativa que dominaria os anos 80.
Beatles: criação e fim no mesmo dia
O dia 28 de fevereiro também marca dois momentos simbólicos ligados aos Beatles, com nascimento e encerramento de ciclos.
Em 1963, John Lennon e Paul McCartney compuseram “From Me To You”, faixa que consolidaria a ascensão da banda ao topo das paradas britânicas e ajudaria a definir o modelo pop moderno.
Três anos depois, em 1966, o lendário Cavern Club, em Liverpool, palco onde os Beatles praticamente nasceram artisticamente, fechava as portas, encerrando um capítulo físico da história do rock enquanto o mito já ganhava o mundo.

O lendário Cavern Club, em Liverpool (Foto: Divulgação)
✊ Rock como posicionamento político
Em 1972, Paul McCartney lançou nos Estados Unidos “Give Ireland Back To The Irish”, uma das músicas mais explicitamente políticas de sua carreira pós-Beatles. A canção, censurada por rádios britânicas, mostrou que o rock ainda era instrumento direto de protesto social.
Álbuns que definiram eras
O dia também testemunhou lançamentos fundamentais.
Em 1983, o U2 apresentou War, álbum que transformou definitivamente a banda irlandesa em fenômeno global. Com faixas como Sunday Bloody Sunday, o disco ampliou o diálogo entre rock e consciência política nos anos 80.

War foi um lançamento de impacto (Foto: Divulgação)
Já em 2000, o Oasis lançou Standing on the Shoulder of Giants, trabalho que marcou uma virada sonora da banda, mais experimental e introspectiva, refletindo o desgaste e a maturidade do britpop no novo milênio.

Capa do álbum Standing on the Shoulder of Giants (Foto: Divulgação)
Entre excessos e despedidas
Nem todos os capítulos foram gloriosos. Em 1986, Yoko Ono iniciou a turnê Starpeace, lembrada como um dos momentos mais controversos de sua carreira solo, recebida com frieza por parte do público e crítica.
Em 1989, Ringo Starr revisitou sua trajetória com a coletânea Starr Struck: Best of Ringo Starr Vol. 2, reafirmando o legado individual dos ex-Beatles fora da sombra do grupo.
Décadas depois, o peso emocional voltaria à data. Em 2015, o túmulo de Dimebag Darrell, lendário guitarrista do Pantera, foi vandalizado. O episódio gerou revolta entre fãs e reacendeu debates sobre respeito à memória no universo do metal.
E em 2016, o rock assistiu a um adeus silencioso: Brian Johnson realizou seu último show com o AC/DC, encerrando uma era marcada por uma das vozes mais explosivas da história do hard rock.
Um dia que resume o próprio rock
Entre nascimentos, composições históricas, discos transformadores e despedidas inevitáveis, o 28 de fevereiro funciona como um retrato condensado do rock. Um gênero feito de reinvenção constante, conflitos, paixão e legado.
Porque no rock, nenhuma data é apenas um dia, é sempre um eco que continua tocando