Em 3 de março de 1997, o U2 apertou o botão vermelho. Pop não era apenas um disco, era um experimento em larga escala, um ataque frontal à cultura de consumo embalado por beats eletrônicos, ironia e neon. Vinte e nove anos depois, o álbum continua soando como um manifesto inquieto, dançante por fora, ansioso por dentro.

Se Achtung Baby abriu a porta da reinvenção e Zooropa (1993) representou a guinada industrial e eletrônica, Pop atravessou a festa inteira sem pedir desculpas, mergulhando ainda mais fundo na cultura clubber.
A banda investiu na música eletrônica europeia, nos loops industriais e na pulsação das pistas de dança. “Discothèque” virou cartão de visitas de uma fase em que Bono vestia a máscara da cultura pop para desmontá-la por dentro.
Havia sarcasmo, excesso, espetáculo, tudo amplificado na turnê PopMart, com seu arco dourado monumental e um limão espelhado que parecia zombar do próprio conceito de grandiosidade do rock. Era o U2 brincando com o kitsch enquanto questionava o vazio do consumo global.

O arco dourado virou marca registrada da turnê (Foto: Divulgação)
Mas Pop também nasceu sob pressão. Finalizado às pressas, carregava imperfeições que dividiram crítica e fãs. Algumas músicas pareciam rascunhos sofisticados, e outras, declarações políticas disfarçadas de hits de pista. O tempo, porém, tem sido generoso. Hoje, o disco é revisitado como o ponto mais ousado, e talvez mais honesto, da fase 90’s da banda. Um álbum que não queria apenas tocar no rádio, mas refletir a febre de uma virada de milênio que misturava euforia digital e medo existencial.
Aos 29 anos, Pop permanece incômodo. E isso é seu maior mérito. Ele dança enquanto tudo queima. Ele sorri enquanto critica. Ele falha tentando algo grande, e, por isso mesmo, nunca soa pequeno.