Existe algo de quase ritualístico em “With or Without You”. Não é uma música que começa, ela se infiltra. Surge devagar, como um pulso, um sussurro que cresce até se tornar inevitável. Quando o U2 lançou o primeiro single de The Joshua Tree, há 39 anos, a banda desenhava um território emocional onde amor e ausência coexistem.
A linha de baixo de Adam Clayton é hipnótica, repetitiva como um pensamento que não se resolve. Sobre ela, The Edge constrói um espaço etéreo, quase fantasmagórico, enquanto Bono canta como quem confessa algo que nem ele próprio entende completamente. É uma música sobre estar preso entre dois extremos, ficar ou partir, e não conseguir fazer nenhum dos dois.
O impacto foi imediato com o primeiro número 1 da banda na Billboard. Mas o que ficou não foi só o sucesso, mas a sensação de que o rock, naquele momento, tinha encontrado uma nova forma de intensidade. Menos barulho, mais tensão. Menos resposta, mais pergunta.
Quase quatro décadas depois, “With or Without You” ainda soa como um eco que não se dissipa. Uma canção que não resolve nada, e talvez seja exatamente por isso que continua dizendo tudo.