A volta de Tommy Shelby carrega um peso que não se dissolve fácil. Depois de seis temporadas que transformaram Peaky Blinders em uma das narrativas mais marcantes da Netflix, “O Homem Imortal” surge como uma continuação que prefere o silêncio ao espetáculo. A guerra, agora em escala global, amplia o cenário, mas a batalha central continua sendo interna.
O filme desloca Shelby para a Segunda Guerra Mundial e tenta reposicionar aquele líder frio e calculista dentro de um contexto onde o poder já não responde às mesmas regras. Há uma mudança de ritmo perceptível. A estética permanece elegante, a fotografia continua carregada de cinzas e sombras, mas existe uma sensação constante de esvaziamento. Como se aquele universo que antes pulsava em Birmingham estivesse agora se desfazendo aos poucos.
Cillian Murphy sustenta tudo com um olhar que parece sempre cansado de si mesmo. Seu Tommy não busca redenção, tampouco poder. Ele parece apenas seguir, como alguém que já atravessou todas as versões possíveis de si. O roteiro aposta nessa melancolia, mas em alguns momentos se perde ao tentar expandir a trama para algo maior do que o personagem comporta. O que funcionava na série como tensão acumulada aqui por vezes se dilui em contemplação.
Ainda assim, há cenas que justificam o retorno. Momentos em que o passado invade o presente e lembra por que aquela história se tornou tão magnética. A trilha sonora continua precisa, evocando o mesmo espírito que misturava rock moderno com atmosfera de época, criando uma identidade emblemática.
“O Homem Imortal” não é um fechamento definitivo, nem tenta ser. É um epílogo irregular, atravessado por fantasmas e escolhas que nunca encontraram descanso. Para quem acompanhou a série, funciona como um reencontro necessário. Para quem chega agora, pode parecer distante demais.
No fim, Tommy Shelby segue existindo naquele espaço entre a lenda e o desgaste.
⭐️⭐️⭐️⭐️☆ (4 de 5)