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Antes da Lua, um filme que impulsiona a cultura pop
Tripulação da Artemis II levou o cinema para a quarentena e encontrou na ficção um espelho da própria missão.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 07/04/2026 15:44 • Atualizado 07/04/2026 15:45
Entretenimento
Tripulação da Artemis II se inspirou em Devoradores de Estrelas antes da missão (Foto: Divulgação)

Antes do silêncio absoluto do espaço, houve o som familiar de uma sala de estar. Tela acesa, luz baixa, a Terra ainda ali. por perto. Foi nesse intervalo, entre o cotidiano e o desconhecido, que a tripulação da Artemis II assistiu a Devoradores de Estrelas, ficção científica estrelada por Ryan Gosling, em cartaz nos cinemas. Os cientistas confirmaram que o filme, além do passatempo, serviu como preparação.

O comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas Christina Koch e Jeremy Hansen estavam em quarentena. Isolados, como exige o protocolo. Ainda assim, acompanhados. Assistiram ao filme com suas famílias. Um último gesto de normalidade antes da travessia.

Na história, Gosling interpreta um professor que se vê diante da tarefa de salvar o planeta de uma ameaça cósmica. Um homem comum empurrado para o extraordinário, e a identificação, então, veio fácil. A fantasia permeou a mente e serviu como impulso, com a ideia de seguir mesmo sem garantias.


Hansen resumiu sem rodeios que a ficção ajudou a entrar no clima. A frase diz mais do que parece, porque, no fundo, toda missão espacial também é narrativa. Tem risco, silêncio, expectativa. Tem o peso de sair e a incerteza do retorno.


Dias depois, já fora da atmosfera, a Orion seguiu em direção à Lua. Primeiro, a órbita da Terra, e depois, o afastamento gradual, até cruzar uma linha invisível, onde a gravidade muda de dono. A chamada esfera de influência lunar, um ponto técnico, quase frio, mas que carrega algo de simbólico. É ali que a Terra começa a ficar para trás de verdade.

A missão marca o retorno humano ao entorno lunar após mais de meio século. Um sobrevoo, sem pouso, e ainda assim, histórico. Os astronautas passam pela face que nunca vemos daqui, não por falta de luz, mas por um jogo preciso entre rotação e translação que mantém sempre o mesmo lado voltado para a Terra.

Durante décadas, esse lado foi tratado como escuro, e a cultura pop ajudou a consolidar a ideia. O próprio Pink Floyd eternizou o equívoco em The Dark Side of the Moon. Mas não há escuridão permanente ali, é apenas distância.


Talvez seja isso que una tudo, o cinema, a música, a ciência. A tentativa constante de dar forma ao que está longe demais, de entender o que não se vê.

Antes de cruzar o vazio, eles assistiram a uma história sobre salvar o mundo., e agora, orbitam outro. Entre um fato e outro, quase nada mudou, exceto a escala do silêncio. E, ainda assim, tudo continua muito humano.

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