A trama acompanha Silvia, uma mulher que vive isolada em uma ilha no sul do Chile e encontra na adoção de uma cadela, batizada com o nome da filha que nunca teve, uma forma de preencher ausências. O filme aposta em um olhar delicado e introspectivo, característica que dialoga diretamente com a proposta da Quinzena, conhecida por valorizar obras que escapam das fórmulas mais convencionais do cinema.
O brasileiro Selton Mello integra o elenco da produção, que se soma a uma seleção diversa de 19 longas de diferentes partes do mundo. A curadoria deste ano reforça o interesse por cinematografias menos exploradas e por diretores em diferentes estágios de carreira, reunindo títulos que transitam entre o experimental, o político e o sensorial.
Enquanto isso, a competição principal de Cannes mantém nomes consagrados na disputa pela Palma de Ouro, como Asghar Farhadi, Pedro Almodóvar e Hirokazu Kore-eda, em uma edição que promete equilíbrio entre tradição e renovação. A ausência de grandes produções de estúdios norte-americanos também indica um festival mais voltado à autoralidade e às narrativas de risco.
Entre temas históricos, dramas contemporâneos e produções que buscam algum tipo de escapismo diante das tensões atuais, Cannes volta a se posicionar como vitrine de um cinema que tenta compreender o mundo, seja pelo conflito ou pela delicadeza.