No começo dos anos 2000, quando o pop rock brasileiro tentava sobreviver entre a explosão do axé comercial, o peso do nu metal importado e a chegada lenta da internet doméstica, o Jota Quest encontrou um espaço curioso. “O Que Eu Também Não Entendo” parecia menos interessada em explosões sentimentais e mais em observar a confusão emocional com delicadeza urbana. Era música para apartamentos iluminados pela televisão ligada sem som, para noites abafadas e relações que começavam a se desgastar sem fazer barulho.
A construção da faixa é amparada em uma sensação estranhamente melancólica. Os teclados suaves, a guitarra limpa e a interpretação contida de Rogério Flausino criam uma atmosfera quase suspensa no tempo. A canção fala sobre desencontros afetivos sem transformar dor em espetáculo. Talvez por isso tenha envelhecido tão bem. Ela entende que algumas relações acabam antes mesmo de terminarem oficialmente.
Com o passar dos anos, “O Que Eu Também Não Entendo” acabou virando um pequeno retrato sentimental daquela geração que cresceu entre CDs gravados, rádios FM e mensagens de texto limitadas a poucos caracteres. Um período em que o pop brasileiro ainda carregava certa inocência melódica antes do excesso digital transformar tudo em velocidade e ruído contínuo.