Um dos discos mais decisivos da música brasileira vai ganhar uma adaptação para o cinema documental. Transa, lançado por Caetano Veloso em 1972, será o centro de um novo longa dirigido por Renato Terra e produzido por Paula Lavigne.
Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o documentário pretende usar as sete faixas do álbum como eixo narrativo para reconstruir um dos períodos mais delicados da trajetória de Caetano: o exílio em Londres durante a ditadura militar brasileira.
A proposta do filme é revisitar, além do processo criativo de “Transa”, a sensação de deslocamento que atravessava o músico naquele início dos anos 70. Distante do Brasil e vivendo em uma cidade marcada pelo rock, pela imigração e pelas transformações culturais da época, Caetano construiu um disco que parece dividido entre saudade, estranhamento e liberdade artística.
Gravado no Chappell’s Recording Studios, em Londres, o álbum absorve referências da música britânica sem abandonar a estrutura emocional da canção brasileira. Ao longo das faixas, português e inglês aparecem misturados de forma quase intuitiva, enquanto samba, folk, blues, reggae e rock convivem sem preocupação em seguir fronteiras rígidas.
Canções como Nine Out of Ten, You Don’t Know Me, It’s a Long Way e Triste Bahia ajudaram a transformar “Transa” em um dos trabalhos mais cultuados da discografia de Caetano.
O disco também reuniu músicos importantes da cena brasileira da época, incluindo Jards Macalé, Tutty Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. O álbum ainda contou com participações de Gal Costa e Angela Ro Ro.
Renato Terra já havia explorado momentos importantes da música brasileira em trabalhos como Uma Noite em 67 e Narciso em Férias, este último centrado na prisão de Caetano durante o regime militar.
Agora, o novo documentário promete revisitar o instante em que o artista transformou exílio político em linguagem musical.