O Medulla iniciou uma nova etapa da carreira com o lançamento de “Um Móbile no Furacão”. Disponível nas plataformas digitais desde quinta-feira (23), o single apresenta o reencontro dos irmãos gêmeos Keops e Raony com uma composição de Paulinho Moska sobre mudanças, conflitos internos e a difícil tarefa de abandonar antigas versões de si mesmo.
Produzida pelo próprio duo em parceria com Los Brasileros, a gravação parte da sensação de estranhamento provocada quando escolhas, relações e rotinas deixam de fazer sentido. Em vez de oferecer respostas prontas, a música acompanha a instabilidade de quem precisa reconstruir a própria identidade em meio às transformações da vida.
A canção integra originalmente “Móbile”, álbum lançado por Moska em 1999. Na interpretação do Medulla, a obra ganha uma sonoridade ligada ao atual momento criativo dos irmãos, combinando elementos orgânicos, recursos eletrônicos e uma atmosfera de permanente tensão.
A escolha também recupera uma conexão afetiva com a geração de artistas que ajudou a aproximar a música brasileira da experimentação. Além de Moska, nomes como Carlinhos Brown, Lula Queiroga, Lenine e Marisa Monte estão entre as referências que influenciaram a formação musical do duo.
Duas versões da mesma pessoa
“Um Móbile no Furacão” chegou acompanhado de um videoclipe dirigido por Keops e Raony em parceria com Léo Silva. Gravado no metrô, o vídeo transforma o deslocamento dos vagões e a circulação dos passageiros em metáforas para as mudanças internas descritas pela música.
Na narrativa, os irmãos interpretam versões diferentes de uma mesma pessoa. Dividido entre dois corpos, o personagem estabelece um confronto com os próprios pensamentos, escolhas e identidades, ampliando visualmente a pergunta que atravessa a canção: quanto de alguém permanece depois de uma transformação profunda?
Inspirada no princípio de fazer cinema com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, a produção utiliza situações do cotidiano para construir uma experiência cinematográfica. O cenário urbano deixa de funcionar apenas como pano de fundo e passa a representar o movimento constante de uma mente em conflito.
Novo álbum foi produzido durante dois anos
O single é a primeira amostra do próximo álbum de inéditas do Medulla. Desenvolvido ao longo de dois anos, o projeto terá oito faixas e deverá chegar às plataformas nas próximas semanas. O lançamento foi confirmado pelo perfil oficial do duo.
O repertório transita pelo jazz, pelas sonoridades brasileiras e pela música experimental. Beatbox, efeitos vocais e sons produzidos com o próprio corpo foram incorporados à criação de batidas e arranjos, ampliando a pesquisa musical dos irmãos.
Produzido pelo Medulla e por Los Brasileros, o disco foi mixado por Marcelinho Ferraz e Daniel Pampuri. O trabalho também terá participações especiais, cujos nomes ainda não foram divulgados.
O álbum sucede o reencontro do duo com o público em festivais e marca a retomada de um projeto que preservou uma comunidade fiel mesmo durante o período sem novos lançamentos. Agora atuando como dupla, o Medulla transforma a instabilidade que cerca os recomeços em matéria-prima para um novo ciclo artístico.