Kate Bush completa 68 anos nesta quinta-feira, 30 de julho, como uma artista popular que jamais precisou simplificar as próprias ideias para alcançar o público. Um lugar raro na música. Desde “Wuthering Heights”, lançada quando ela tinha apenas 19 anos, sua obra transformou personagens literários, desejos, assombrações e conflitos íntimos em canções que pareciam vir de um universo particular.
Em discos como The Dreaming e Hounds of Love, Kate fez do estúdio um instrumento narrativo. Vocais teatrais, sintetizadores, ruídos, pulsações tribais e silêncios desconfortáveis passaram a integrar composições nas quais forma e conteúdo nunca caminham separados. Seu experimentalismo não nasceu da vontade de parecer difícil, mas da necessidade de encontrar um som capaz de sustentar cada história.
O retorno de “Running Up That Hill” às paradas, impulsionado por Stranger Things, apresentou Kate Bush a uma geração que ainda não havia nascido quando a música foi gravada. Não se tratou apenas de nostalgia bem embalada, a canção voltou porque sua tensão emocional permanece intacta.
Kate completa 68 rotações, e sua música, curiosamente, continua chegando antes de muita gente.