Em 15 de agosto de 1989, o Aerosmith lançou “Love in an Elevator”, primeiro single de Pump. A música chegava em um momento decisivo: depois de atravessar crises pessoais e anos de desgaste, o grupo recuperava espaço e voltava a disputar o centro do rock americano.
A faixa trazia tudo em volume máximo. O riff de Joe Perry avançava pesado e direto, enquanto Steven Tyler convertia uma situação cotidiana em fantasia carregada de duplo sentido. Nada era discreto, mas discrição nunca esteve entre as especialidades do Aerosmith.
“Love in an Elevator” também resumia o espírito do rock de arena no fim dos anos 1980: refrão pronto para multidões, produção musculosa e um videoclipe provocador em rotação constante na MTV. A banda dialogava com a estética espalhafatosa da época sem perder a identidade construída desde os anos 1970.
O single tornou-se uma das faixas mais conhecidas do álbum Pump e ajudou a consolidar a retomada comercial do grupo. Mais do que um retorno bem-sucedido, aquela fase apresentou o Aerosmith a uma geração que conheceu a banda primeiro pela televisão e somente depois descobriu os discos antigos.
Trinta e sete anos mais tarde, “Love in an Elevator” permanece como uma cápsula barulhenta de seu tempo. É divertida, excessiva e deliberadamente indecente. É o som de uma banda veterana que entrou no elevador em busca de mais uma chance, e saiu novamente no andar mais alto do rock.