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“Ten” completa 35 anos ainda soando como ferida aberta
Álbum que apresentou Pearl Jam ao mundo virou um dos testemunhos definitivos do rock dos anos 1990.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 27/08/2026 12:19 • Atualizado 27/08/2026 12:19
Música
Aos 35 anos, Ten conserva pequenas marcas de sua época (Foto: Divulgação)

Em 27 de agosto de 1991, quando o Pearl Jam lançou Ten, Seattle ainda não havia sido inteiramente convertida em produto cultural. O disco chegou algumas semanas antes de Nevermind, do Nirvana, e encontrou seu próprio espaço naquele terremoto. Menos debochado, mais épico, carregado por guitarras que pareciam buscar alguma saída em meio à culpa e à inquietação.


A entrada é avassaladora. “Once”, “Even Flow” e “Alive” formam uma sequência quase sem respiro, com a voz de Eddie Vedder oscilando entre confissão e confronto. Stone Gossard, Mike McCready, Jeff Ament e Dave Krusen constroem uma sonoridade pesada, mas ainda ligada ao rock clássico, algo entre a eletricidade de Hendrix, a musculatura setentista e a urgência que tomava conta do início daquela década.

Por trás dos refrões gigantes havia histórias pouco confortáveis. “Jeremy” nasceu de uma tragédia real e expôs o abandono adolescente sem transformar a dor em espetáculo barato. “Black”, talvez o momento mais devastador do álbum, fez da perda amorosa uma paisagem sem saída. Já “Release” encerrou o disco como uma conversa íntima com uma ausência antiga.

O sucesso demorou alguns meses, mas depois tomou proporções difíceis de controlar. Ten transformou o Pearl Jam em uma das maiores bandas do mundo, colocou Vedder no centro de uma geração e vendeu milhões de cópias sem jamais soar planejado para o consumo fácil. A própria banda levaria anos tentando escapar do tamanho daquela estreia.

Aos 35 anos, Ten conserva pequenas marcas de sua época na produção grandiosa e reverberante, mas continua vivo onde realmente importa. É um disco sobre jovens cercados por ruídos, tentando nomear aquilo que os adultos preferiam ignorar. Talvez por isso suas canções ainda encontrem novos ouvintes. Mudam as gerações, mas certas feridas aprendem apenas outras maneiras de permanecer abertas.

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