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A ausência ainda mora em Wish You Were Here
Há 51 anos, o Pink Floyd transformava saudade, alienação e desprezo pela indústria musical em um disco que parece tocar de dentro de um quarto vazio
Por Redação Rádio VB
Publicado em 12/09/2026 06:00
Música
Wish You Were Here completa 51 anos de lançamento neste sábado, 12 (Foto: Divulgação)

Em 12 de setembro de 1975, o Pink Floyd lançou no Reino Unido Wish You Were Here, seu primeiro trabalho depois do fenômeno mundial de The Dark Side of the Moon. Em vez de tentar reproduzir o impacto comercial do antecessor, a banda gravou um álbum sobre o desconforto de ter chegado ao topo e já não reconhecer inteiramente o lugar, nem a si mesma. O disco alcançaria o primeiro lugar tanto no Reino Unido quanto nos Estados Unidos.

A palavra que atravessa suas cinco faixas é ausência. A de Syd Barrett, fundador e antigo centro criativo do grupo, afastado após o agravamento de seus problemas mentais. A dos próprios músicos, emocionalmente dispersos depois da fama. E a ausência produzida por uma indústria capaz de converter qualquer inquietação em mercadoria, contrato e aperto de mão.

O álbum começa e termina com Shine On You Crazy Diamond, longo réquiem repartido em duas seções. A guitarra de David Gilmour surge lentamente, como se procurasse alguém em meio à névoa. Durante as gravações em Abbey Road, Barrett apareceu no estúdio sem avisar, fisicamente transformado e, num primeiro momento, irreconhecível para os antigos companheiros. Sua presença inesperada tornou ainda mais doloroso um disco que já orbitava sua memória.

No centro dessa moldura estão duas peças de hostilidade elegante. Welcome to the Machine descreve a engrenagem que absorve artistas, fabrica sonhos e determina até o tipo de rebeldia permitido. Em Have a Cigar, cantada por Roy Harper, o executivo bajulador revela que sequer sabe quem é Pink. O sarcasmo não vem acompanhado de alívio: todos já estão dentro do negócio que desprezam.


Então surge a faixa-título, despida da arquitetura monumental que domina o restante do álbum. O rádio distante, o violão e a voz de Gilmour transformam a saudade em uma pergunta incômoda: é possível permanecer ao lado de alguém e, ainda assim, não estar realmente presente? A música fala com Barrett, mas não fica presa a ele. É por isso que atravessou décadas sem depender da biografia da banda.


Até a embalagem concebida pela Hipgnosis prolongava essa sensação. O disco vinha envolvido por plástico preto, ocultando capa, nome e imagem; por baixo, dois homens apertavam as mãos enquanto um deles ardia em chamas. O acordo comercial aparecia como gesto automático, cordialidade vazia e risco assumido por quem estava sendo consumido.


Aos 51 anos, Wish You Were Here permanece como monumento do rock progressivo, e se eterniza em uma sala onde alguém acabou de sair. O Pink Floyd não tentou preencher o espaço, mas deixou o vazio respirar, e gravou o som que ele fazia.

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