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“Shimmer Lake” é um crime contado de trás para frente na dica deste sábado
Disponível na Netflix, suspense policial de Oren Uziel desmonta um assalto em ordem reversa e encontra humor ácido entre cadáveres, segredos e amizades arruinadas
Por Redação Rádio VB
Publicado em 12/09/2026 18:15
Entretenimento
O filme combina o ambiente sombrio do neo-noir com um humor seco (Foto: Divulgação)

Há crimes que avançam em direção à resposta. Shimmer Lake prefere começar perto dela e caminhar de costas. Lançado em 2017 e disponível na Netflix, o filme acompanha a investigação de um assalto a banco, mas organiza os acontecimentos em ordem cronológica inversa. Cada novo dia exibido revela o que ocorreu antes e altera a percepção sobre aquilo já visto.

Benjamin Walker interpreta Zeke Sikes, xerife de uma pequena cidade americana encarregado de localizar os responsáveis pelo roubo. O problema ganha contornos pessoais quando as pistas levam ao próprio irmão, Andy, vivido por Rainn Wilson. Ao redor dos dois circula um grupo de personagens unidos por dinheiro, ressentimentos e decisões tomadas tarde demais.

Em sua estreia na direção, Oren Uziel usa a estrutura reversa sem transformar o roteiro em mera exibição de esperteza. O interesse não está somente em descobrir quem fez o quê, mas em perceber como pequenos gestos, inicialmente banais, escondiam traições e acordos mal resolvidos. Uma conversa vista no início pode adquirir outro peso quando sua origem finalmente aparece.

O filme combina o ambiente sombrio do neo-noir com um humor seco, quase constrangido. Policiais pouco brilhantes, criminosos improvisados e agentes do FBI excessivamente satisfeitos consigo mesmos dividem uma história na qual ninguém parece controlar inteiramente a situação. O resultado lembra uma versão mais enxuta e debochada dos suspenses ambientados nas pequenas cidades dos irmãos Coen.

Com aproximadamente uma hora e meia de duração, Shimmer Lake não procura a grandiosidade. Sua força está no ritmo direto, nos diálogos atravessados por ironia e na maneira como reorganiza as peças até que o começo da história funcione também como conclusão. Alguns personagens poderiam ganhar maior profundidade, mas a montagem sustenta a curiosidade e recompensa a atenção aos detalhes.


É uma boa escolha para a noite deste sábado. Curto, engenhoso e suficientemente escuro para criar clima sem exigir uma maratona emocional. Um suspense sobre culpa e lealdade no qual voltar ao início significa, finalmente, compreender o fim.


Filme:
Shimmer Lake

Ano:
2017

Direção:
Oren Uziel

Gênero:
suspense policial e humor ácido

Onde assistir:
Netflix

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