Em 24 de setembro de 1991, o Nirvana lançou Nevermind e o Red Hot Chili Peppers pôs Blood Sugar Sex Magik nas lojas. A coincidência de calendário parece improvável hoje. Dois discos que ajudariam a mudar o tamanho do chamado rock alternativo chegaram ao público na mesma terça-feira.
Nevermind abre com “Smells Like Teen Spirit”, mas sua força vai além do impacto daquele riff. Há algo de desconfortável até nas canções mais fáceis de cantar. A voz de Kurt Cobain parece querer escapar do refrão no instante em que ele começa a grudar. “Come as You Are” e “Lithium” também vivem dessa tensão entre melodia e ruído. O disco levou o Nirvana a uma escala que a banda não parecia ter pedido e fez milhões de ouvintes reconhecerem naquela música uma irritação que ainda não sabiam explicar.
Na outra ponta, Blood Sugar Sex Magik soa como gente tocando perto demais uma da outra para ficar parada. O baixo de Flea, a guitarra de John Frusciante e a bateria de Chad Smith dão espaço ao funk, ao suor e às pausas. “Give It Away” exibe a banda em plena combustão; “Under the Bridge” deixa entrar uma solidão que a pose espalhafatosa dos Chili Peppers nem sempre permitia enxergar. Foi ali que o grupo encontrou uma forma de ser enorme sem apagar as esquisitices que o tinham levado até aquele ponto.
Trinta e cinco anos depois, os dois álbuns carregam marcas diferentes do tempo. Nevermind foi repetido tantas vezes que é fácil esquecer o quanto suas canções pareciam nervosas e vulneráveis. Blood Sugar Sex Magik ainda surpreende pela liberdade, embora alguns de seus excessos soem presos à época em que foi feito.
Ouvidos em sequência, contam uma história maior que a de duas bandas no auge. Em 1991, o rock encontrou público de massa justamente quando deixou suas fissuras à mostra.