Madeiras que já navegaram, peças retiradas de carrocerias e instrumentos marcados pelo uso ganham outros destinos nas mãos de Marcone Moreira. A partir de 7 de outubro, o artista apresenta esse universo em “O mundo em trânsito de Marcone Moreira”, exposição em cartaz no Chão SLZ, em São Luís, até 7 de novembro.
Radicado em Marabá, no Pará, Moreira trabalha com materiais encontrados na paisagem que conhece de perto. Na série Cruzamentos, madeiras e parafusos de caminhões passam a compor obras sobre deslocamento e ausência. Em Páginas e Rotas, fragmentos de embarcações desgastadas formam arranjos de cor que ainda deixam perceber a vida anterior da matéria.
A mostra reúne também as pinturas de Travessias, com figuras solitárias em barcos. Entre as instalações, Vertebral organiza hélices de alumínio em uma forma sinuosa, associada à sucuri; Exaustos reúne porretes e cepos usados na quebra do babaçu e da castanha-do-pará. São peças que aproximam trabalho, paisagem e memória sem reduzir a Amazônia a uma imagem de cartão-postal.
Com curadoria do poeta Eucanaã Ferraz, a exposição percorre diferentes momentos da produção de Moreira. Seu eixo está na transformação: o que acontece com um objeto depois que ele deixa de cumprir sua função original e passa a guardar, na arte, os sinais de quem o usou e dos lugares por onde circulou. O projeto foi selecionado pelo Circuito Marcantonio Vilaça de Artes Visuais, da Funarte, para circulação que inclui o Maranhão.
A abertura será no dia 7 de outubro, às 18h30, com a presença do artista. Na ocasião, Marcone Moreira conversa com Dinho Araújo sobre os materiais e os caminhos de sua obra.