Antes de se tornar o homem procurado por uma das mais longas investigações do FBI, Ted Kaczynski era um prodígio da matemática que entrou em Harvard aos 16 anos. É desse contraste que parte Unabomber, filme disponível na Netflix desde sexta-feira (25). A produção acompanha a juventude de Kaczynski e, em outra linha do tempo, a investigação dos atentados a bomba que o tornaram conhecido em todos os Estados Unidos.
Jacob Tremblay interpreta Ted jovem. Russell Crowe vive Henry Murray, professor de Harvard responsável por experimentos psicológicos dos quais Kaczynski participou. Shailene Woodley aparece como Joanne Miller, agente do FBI que ajuda a conduzir a investigação na ficção: a personagem foi criada para o filme. Ao aproximar a experiência universitária da violência cometida décadas depois, o roteiro propõe uma leitura da trajetória de Kaczynski, mas não há comprovação de que os experimentos tenham causado seus crimes.
Quem foi o Unabomber?
Theodore “Ted” Kaczynski deixou a carreira acadêmica e passou a viver isolado em uma cabana em Montana. Entre 1978 e 1995, enviou ou deixou bombas em diferentes locais dos Estados Unidos. Três pessoas morreram e quase duas dezenas e meia ficaram feridas, segundo o FBI. O apelido “Unabomber” veio do nome dado à investigação de ataques inicialmente associados a universidades e companhias aéreas.
A publicação de um manifesto escrito por Kaczynski acabou sendo decisiva para identificá-lo. Seu irmão, David, reconheceu semelhanças entre o texto e escritos antigos de Ted e, por meio de um advogado, procurou o FBI. A comparação dos documentos ajudou os investigadores a chegar à cabana onde ele foi preso, em 3 de abril de 1996. Kaczynski se declarou culpado em 1998 e foi condenado à prisão perpétua. Morreu em 2023, aos 81 anos.
O filme transforma essa história em suspense policial e drama biográfico. Para quem assiste, vale guardar a distinção que os atentados, as vítimas e a identificação de Kaczynski são fatos documentados. Já os diálogos, a agente Joanne Miller e as relações de causa sugeridas pela narrativa pertencem à construção cinematográfica.