Uma auditoria pode parecer um ponto de partida pouco empolgante para um filme de ação. “O Contador”, porém, encontra justamente nessa combinação improvável seu principal atrativo. A dica para este sábado à noite traz Ben Affleck como Christian Wolff, um homem cuja aparente rotina de escritório esconde relações perigosas e habilidades que nenhuma planilha seria capaz de revelar.
Dirigido por Gavin O’Connor, a trama acompanha um contador com extraordinária facilidade para a matemática que presta serviços a organizações criminosas. Ao examinar as finanças de uma empresa de tecnologia, ele encontra irregularidades que transformam o trabalho em uma ameaça à própria vida.
Affleck sustenta o personagem com uma atuação contida, apoiada em silêncios, gestos calculados e uma expressão quase impenetrável. Essa economia funciona especialmente bem quando o filme troca os números pela ação: a precisão permanece, mas ganha outra finalidade. O contraste dá personalidade a um protagonista que poderia se resumir à figura habitual do homem solitário e letal.
O suspense cresce na medida em que diferentes peças da história começam a se aproximar. Há momentos em que o roteiro explica demais e força algumas coincidências para fechar seu quebra-cabeça, mas a curiosidade sobre Christian ajuda a manter o interesse. As cenas de combate, diretas e intensas, também contribuem para o ritmo.
A construção do protagonista pede alguma ressalva: o filme recorre à associação entre autismo e capacidades excepcionais, uma simplificação que limita sua abordagem do tema. Como entretenimento, entretanto, encontra força na mistura de mistério, tensão e drama pessoal, sem depender apenas dos confrontos.
“O Contador” é uma boa escolha para quem procura um suspense com ação e uma história que exige atenção aos detalhes. Entre documentos, identidades escondidas e acertos de contas, o filme transforma uma investigação aparentemente burocrática em uma sessão envolvente para a noite de sábado. Disponível para assinantes da platafoma HBO Max.