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Adriana Calcanhotto leva novas leituras de seus clássicos ao Tiny Desk Brasil
Apresentação reúne cinco canções e aposta na escuta entre os músicos, com piano, baixo acústico e clarinete em torno da voz
Por Redação Rádio VB
Publicado em 28/10/2026 06:00
Música
A apresentação reúne cinco faixas que são tocadas em grupo sem perder a intimidade (Foto: Reprodução)

Adriana Calcanhotto poderia ter ocupado o escritório do Tiny Desk Brasil com a formação que conhece bem: voz e violão. Preferiu montar uma banda especialmente para a apresentação e abrir suas canções à contribuição de outros músicos. O resultado reúne cinco faixas em arranjos que exploram os detalhes, os intervalos e a possibilidade de tocar em grupo sem perder a intimidade.

A escolha dos instrumentistas passou pela capacidade de propor ideias e perceber o espaço de cada um no conjunto. “Eu gosto de trabalhar com músicos que tenham essa capacidade de intervir, sem necessariamente isso ser traduzido em quantidade de notas”, afirmou a artista.


Essa concepção orientou também a relação entre acompanhamento e canto. “É possível fazer um trabalho com banda em que você não precise vencer a banda. A banda vai pela sua voz”, explicou.


Piano, baixo acústico e clarinete participam dessa construção, que incorpora ainda uma pequena fonte e percussão aquática. A água acrescenta uma camada contínua ao ambiente e modifica até a percepção das pausas. “O nosso silêncio já não é o silêncio total. A água leva o cérebro para um lugar muito bom”, observou Adriana.


O repertório aproxima diferentes aspectos de sua trajetória: a compositora, a intérprete e a parceira de outros autores. “Mentiras”, “Esquadros” e “Vambora” representam sua produção autoral. “Inverno”, escrita com o poeta Antônio Cícero, divide espaço com “Devolva-me”, de Renato Barros e Lílian Knapp, canção da Jovem Guarda que ganhou uma nova trajetória na voz da cantora.


“Mentiras” traz ainda uma conversa com a obra de Cazuza. A abertura “Nada ficou no lugar” foi inspirada no verso “ficou tudo fora do lugar”, de “O Nosso Amor a Gente Inventa”.


Canções abertas à intervenção


A apresentação preserva espaço para que os músicos alterem caminhos conhecidos. Adriana não busca reproduzir cada detalhe das gravações de estúdio: interessa a contribuição de quem está tocando naquele momento.


“Você não vai tocar aquele solo igualzinho ao que fez no disco. O que eu quero é o input daquele músico escolhido, para aquela situação, para aquele arranjo”, disse.


Em “Inverno”, essa liberdade aparece no piano de Vitor Araújo, que participa da nova leitura de uma canção já marcada pela presença do instrumento em sua versão original.


Para a artista, o ambiente do Tiny Desk permitiu trabalhar diferenças de intensidade e volume que considera essenciais à interpretação. “Como eu sempre desconfiei, é possível trabalhar com banda e poder se ouvir”, afirmou. “Essa dinâmica mais sinfônica, a gente pôde explorar aqui e foi muito especial.”


Com uma carreira que atravessa quatro décadas, Adriana também atua na literatura, nas artes visuais e no ensino. No projeto Adriana Partimpim, dedicado ao público infantil, lançou quatro discos e conquistou um Grammy Latino. No Tiny Desk, essa curiosidade por formatos e sonoridades reaparece na disposição de experimentar dentro das próprias canções.


Repertório da apresentação

  1. Mentiras
  2. Devolva-me
  3. Esquadros
  4. Inverno
  5. Vambora

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