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Sete de novembro, seis maneiras de perder o chão
De “Ummagumma” ao Alice in Chains, uma escuta entre experiências psicodélicas, guitarras inquietas e discos que aprenderam a conviver com seus fantasmas
Por Redação Rádio VB
Publicado em 07/11/2026 10:47 • Atualizado 07/11/2026 10:49
Música
Álbuns aproximam trabalhos de Clapton, Ozzy, Stones, Alice in Chains e Pink Floyd (Foto: Reprodução / Agência VB)

Há calendários que parecem uma boa coleção de discos. O dia 7 de novembro aproxima trabalhos de Eric Clapton, Ozzy Osbourne, Rolling Stones, Alice in Chains e duas épocas muito distintas do Pink Floyd. Ouvidos em sequência, eles oferecem um percurso pouco comportado: começam na liberdade do laboratório, atravessam o espetáculo do rock e chegam a lugares onde tocar também significa lidar com ausências.


Pink Floyd — Ummagumma (1969)


O laboratório fica aberto


Em Ummagumma, o Pink Floyd parece interessado em descobrir até onde consegue ir sem precisar explicar o caminho. O álbum duplo reúne apresentações ao vivo e experiências individuais de estúdio. No palco, “Careful with That Axe, Eugene” transforma a espera em ameaça; nas gravações individuais, ruídos, colagens e instrumentos abrem passagens nem sempre acolhedoras.


É um disco irregular, por vezes fascinante, por vezes exaustivo. Parte do interesse está justamente nessa falta de acabamento convencional. A banda ainda procura sua linguagem, e deixa o ouvinte circular entre os equipamentos enquanto a experiência acontece.


Ozzy Osbourne — Diary of a Madman (1981)


A arquitetura do delírio


A entrada de “Over the Mountain” tem urgência suficiente para dispensar qualquer apresentação. No segundo álbum solo de Ozzy, o peso encontra uma construção musical cheia de detalhes, sobretudo nas guitarras de Randy Rhoads. Seus solos têm direção, tensão e um senso de melodia que permanece depois da velocidade.



A faixa-título leva essa combinação ao limite: violões, mudanças de dinâmica e uma atmosfera quase teatral sustentam a voz inquieta de Ozzy. O terror ganha forma de composição. Por trás da figura do cantor, há uma banda fazendo escolhas precisas.


Rolling Stones — Undercover (1983)


O corpo dança, a notícia sangra


Undercover
traz os Stones cercados por violência, desejo e ritmos que escapam do rock mais previsível. A faixa de abertura, “Undercover of the Night”, aproxima percussão, tensão política e uma produção que assume as possibilidades do estúdio.


“Too Much Blood” empurra o desconforto para uma pista de dança estranha, enquanto “She Was Hot” preserva a malícia do grupo. O disco nem sempre encontra unidade, mas sua inquietação rende mais do que a simples repetição de uma fórmula consagrada. Há prazer nessa superfície áspera.


Eric Clapton — Journeyman (1989)


O ofício sob a luz do estúdio


Clapton chega a Journeyman com a segurança de quem conhece cada ferramenta da bancada. “Pretending” e “Bad Love” vestem a guitarra com a produção ampla do fim dos anos 1980: bateria marcada, teclados e espaço calculado para os solos.


O acabamento pode soar excessivo em alguns momentos. Ainda assim, o fraseado encontra pequenas rachaduras por onde entram o blues e uma expressão menos controlada. Em “Old Love”, especialmente, a guitarra demora sobre as notas como quem ainda tem algo difícil para dizer.


Alice in Chains — Alice in Chains (1995)

O peso de permanecer


O cachorro de três pernas da capa anuncia uma sobrevivência desconfortável. Conhecido como Tripod, o álbum troca parte da agressividade imediata por um som arrastado, de guitarras espessas e vozes que parecem ocupar o mesmo quarto sem encontrar descanso.


“Grind” e “Again” apertam o cerco; “Heaven Beside You” e “Over Now” deixam entrar uma claridade cansada. As harmonias de Layne Staley e Jerry Cantrell carregam uma intimidade difícil de reproduzir. É um disco que exige tempo, sobretudo quando parece se recusar a sair do lugar.



Pink Floyd — The Endless River (2014)


Escutar quem faz falta


Na outra ponta dessa seleção, o Pink Floyd retorna às gravações das sessões de The Division Bell para construir uma homenagem a Richard Wright. Predominantemente instrumental, The Endless River dá aos teclados espaço para respirar entre a guitarra de David Gilmour e a bateria de Nick Mason.


Há passagens que soam como esboços, e essa condição limita o disco tanto quanto revela sua delicadeza. “Louder Than Words” oferece um encerramento cantado depois da longa deriva. Se Ummagumma expunha músicos tentando descobrir o futuro, aqui eles escutam o que ficou guardado.

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