Em 23 de fevereiro de 1945, no auge da Batalha de Iwo Jima, um grupo de fuzileiros navais dos Estados Unidos alcançou o topo do Monte Suribachi e ergueu a bandeira americana em meio ao caos da Segunda Guerra Mundial. O momento, registrado pelo fotógrafo Joe Rosenthal, tornou-se uma das imagens mais reconhecidas da história moderna, símbolo imediato de vitória, resistência e do poder narrativo das guerras. Mais do que um ato militar, a fotografia transformou soldados anônimos em ícones nacionais e ajudou a moldar o imaginário coletivo do século XX.
Décadas depois, o cinema revisitou esse episódio sob uma perspectiva menos triunfalista. Em Flags of Our Fathers (A Conquista da Honra), Clint Eastwood desmonta a aura heroica construída em torno da imagem. O filme acompanha os soldados sobreviventes que participaram do famoso hasteamento e mostra como o governo norte-americano transformou o registro em ferramenta de propaganda para financiar a guerra, enquanto os próprios combatentes lidavam com traumas invisíveis e culpa por terem sobrevivido.
Eastwood amplia ainda mais o olhar ao lançar, no mesmo ano, Letters from Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima), narrado sob o ponto de vista japonês. Juntos, os filmes funcionam como um espelho histórico: de um lado, a construção do mito; do outro, a humanidade dos inimigos. A bandeira erguida no Suribachi deixa então de ser apenas um símbolo patriótico e passa a representar algo mais complexo — a fragilidade humana diante da guerra e a forma como imagens podem simplificar histórias que jamais foram simples.
Hoje, a fotografia continua sendo lembrada como triunfo militar, mas também como lembrete de que toda imagem histórica carrega silêncios. O cinema de Eastwood, ao revisitar Iwo Jima, não destrói o mito, apenas revela as pessoas escondidas atrás dele.
Atualmente o filme está disponível apenas para aluguel na Prime Vídeo por R$ 11,90.