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Renato Russo 66 anos e a palavra que ainda atravessa o tempo
De Brasília para o Brasil, a voz da inquietação segue viva nas ruas, nos fones e nas perguntas que nunca envelhecem.
Por Redação Rádio VB
Publicado em 27/03/2026 06:00
Música
Renato segue como uma pergunta aberta, dessas que o mundo ainda tenta responder (Foto: Reprodução IA)

Renato Russo completaria 66 anos nesta sexta-feira, 27 de março, mas a conta nunca fecha em números. Há artistas que pertencem ao tempo em que viveram. Outros habitam todas as épocas.


Renato segue como uma pergunta aberta, dessas que o mundo continua tentando responder, mesmo sem perceber.

Tudo começou em Brasília. A cidade sempre foi mais que cenário. Nos anos 80, aquele universo ainda em construção parecia um lugar onde o silêncio pesava diferente. Foi ali, entre superquadras e noites longas, que Renato Russo começou a transformar inquietação em linguagem.


Antes da Legião, veio o Aborto Elétrico, um ponto de partida urgente, quase bruto, dividido com jovens que também buscavam sentido. Era o início de algo que ainda não tinha nome, mas já possuía pulsação.

A chamada Turma da Colina ajudou a moldar esse espírito coletivo. Era um núcleo criativo que misturava amizade, política, literatura e música, criando um caldo cultural que daria forma ao rock brasileiro como conhecemos.


A Legião Urbana surgiu como uma espécie de tradução emocional daquela geração. Letras que falavam de angústia, amor, fé, contradição. Nada parecia distante. Tudo soava pessoal.

Renato escrevia tentando organizar o caos interno. Havia ecos de poesia, filosofia, referências que iam de Bob Dylan a The Smiths, passando por Joy Division e literatura existencialista. Ele não suavizava perguntas difíceis. Ao contrário, fazia delas o centro da canção. Talvez por isso sua obra continue tão próxima. Não envelhece quem fala de dúvidas que ainda existem.

Hoje, Renato Russo viaja além da memória. É presença constante, e está nos discos, nos versos recitados de cor, nas novas gerações que descobrem suas músicas como se fossem atuais. Sua importância para o rock nacional não se resume ao sucesso. Ele ajudou a dar densidade ao gênero, mostrou que era possível pensar, sentir e questionar dentro da canção popular.


Álbuns essenciais

Com a Legião Urbana:

  • Legião Urbana (1985)
  • Dois (1986)
  • Que País É Este 1978/1987 (1987)
  • As Quatro Estações (1989)
  • V (1991)
  • O Descobrimento do Brasil (1993)
  • A Tempestade ou O Livro dos Dias (1996)

Carreira solo:

  • The Stonewall Celebration Concert (1994)
  • Equilíbrio Distante (1995)

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