Richard Ashcroft atravessa uma rua movimentada no clipe de “Bitter Sweet Symphony”, esbarrando em quem aparece pela frente. A cena acabou virando a imagem mais conhecida do The Verve. Também serve de entrada para Urban Hymns, um disco sobre seguir andando quando o desejo de mudar de vida bate de frente com a rotina. Lançado em 29 de setembro de 1997, o terceiro álbum da banda completa 29 anos nesta terça-feira.
A abertura grandiosa poderia ter engolido o restante do repertório, mas o álbum guarda outras temperaturas. “The Drugs Don’t Work” enfrenta a perda quase sem proteção; “Lucky Man” encontra algum alívio na própria vulnerabilidade; “Sonnet” deixa a guitarra e a voz ocuparem o espaço que as cordas haviam tomado.
Nas faixas mais longas, o The Verve ainda se permite vagar pela psicodelia, como se resistisse a caber inteiramente no formato de seus grandes sucessos.
Urban Hymns chegou ao auge comercial da banda, mas nunca soa confortável com a fama que conquistou. Há beleza demais nessas músicas para chamá-las de derrotadas e inquietação suficiente para tratá-las como hinos de vitória.
Passados 29 anos, é essa mistura que permanece. Uma sensação de estar perdido por alguns minutos e, mesmo assim, reconhecer exatamente o caminho.