“Sonnet” tem o jeito de uma lembrança que aparece enquanto você procura outra coisa. A guitarra abre espaço, a voz de Richard Ashcroft entra sem cerimônia e, quando se percebe, aquela história mal resolvida já tomou a sala. Há uma intimidade meio desarrumada na canção. Dá para ouvir o sujeito tentando entender o que ainda sente.
O Verve deixa a música respirar. O violão sustenta a conversa, as cordas se espalham pelos cantos e Ashcroft demora nas palavras como se algumas custassem mais que outras. O refrão oferece um alívio, mas ninguém sai dali muito convencido de que resolveu a própria vida. Melhor assim. Certas canções ficam perto justamente porque dispensam o conselho.
Dentro de Urban Hymns, “Sonnet” é daquelas faixas às quais se volta sem fazer anúncio. Combina com o ônibus quase vazio, a janela aberta de madrugada, o nome que você hesita em procurar no telefone. Quando termina, a vontade é deixá-la tocar outra vez, talvez para prestar atenção na guitarra, talvez por um motivo menos fácil de admitir.