O Dia das Crianças combina com uma boa história e gente reunida no sofá. Para esta segunda-feira (12), a seleção traz três filmes que oferecem diversão aos pequenos e assunto para os adultos depois dos créditos. Há espaço para descobrir o mundo, questionar certezas e perceber como as histórias de família também fazem parte de quem somos.
“Luca” — Disney+

Em uma pequena cidade da Riviera Italiana, Luca e Alberto vivem um verão de descobertas, passeios e planos que parecem maiores do que eles. Os dois guardam um segredo: são criaturas marinhas que assumem aparência humana em terra firme. Essa diferença pode colocar em risco a liberdade recém-descoberta.
O encanto de “Luca” está na escala das coisas. Uma bicicleta, uma amizade e a vontade de conhecer o que existe além de casa bastam para movimentar a aventura. A Pixar encontra beleza nesse momento em que o mundo começa a crescer diante da criança, enquanto o medo de não ser aceita acompanha cada novidade.
É uma escolha especialmente boa para abrir a sessão: colorida, bem-humorada e com uma delicadeza que permite conversar sobre pertencimento sem transformar os personagens em porta-vozes de uma lição.
“A Fera do Mar” — Netflix

Navios, criaturas gigantes e uma menina disposta a ocupar o próprio lugar na aventura fazem de “A Fera do Mar” a opção mais movimentada da lista. Dirigida por Chris Williams, a animação leva a sessão para um universo de caçadores de monstros e expedições por águas desconhecidas.
Por trás das batalhas, o filme questiona quem decide quais criaturas devem ser temidas e quais histórias merecem crédito. A curiosidade infantil ganha importância justamente porque os adultos já parecem satisfeitos com as respostas que receberam.
O espetáculo funciona, mas a graça está em perceber que coragem também pode significar interromper uma luta e olhar melhor para quem foi chamado de inimigo. Para quem quer aventura com espaço para discussão depois, é uma boa pedida.
“Viva: A Vida é uma Festa” — Disney+

Miguel sonha em ser músico, embora a música tenha sido proibida em sua família. Sua busca o conduz a uma viagem pelo mundo dos mortos, em uma história que aproxima vocação, vínculos familiares e lembrança. A animação da Pixar tem direção de Lee Unkrich e codireção de Adrian Molina.
As cores e as canções abrem caminho para um tema delicado: o que permanece das pessoas na vida de quem fica. “Viva” trata a memória como algo cultivado nos pequenos gestos, nas fotografias e nas histórias contadas em casa. A emoção nasce dessa proximidade, mesmo em um cenário fantástico.
É o filme para encerrar a programação e prolongar a conversa. Depois dele, vale mostrar às crianças uma fotografia antiga, apresentar alguém que elas não conheceram ou contar de onde veio uma tradição da família. A sessão termina, e a história pode continuar na sala.