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Led Zeppelin IV completa 55 anos entre guitarras elétricas e madeira acústica
O peso de um álbum que também sabe sussurrar e uma escada que ainda provoca vertigem
Por Redação Rádio VB
Publicado em 08/11/2026 12:20 • Atualizado 08/11/2026 12:23
Música
Led Zeppelin IV ainda merece uma escuta longe da obrigação de confirmar sua grandeza (Foto: Divulgação)

O riff de “Black Dog” entra aos solavancos, respondendo à voz de Robert Plant como se os instrumentos precisassem negociar cada avanço. Logo depois, “Rock and Roll” abre as portas com a bateria de John Bonham. Em poucos minutos, Led Zeppelin IV estabelece sua força física. Mas o disco que chega aos 55 anos neste domingo guarda boa parte do seu fascínio na maneira como interrompe essa marcha para ouvir o silêncio.

São oito faixas, sem o nome da banda ou um título convencional na capa original. A imagem do homem curvado sob um feixe de galhos parece pertencer a outro tempo. Há algo dessa convivência entre esforço, antiguidade e mundo moderno na música: o blues amplificado encontra instrumentos acústicos, ecos de folk e histórias que parecem recolhidas à beira de uma fogueira.

“The Battle of Evermore” dá corpo a esse ambiente. O bandolim de Jimmy Page e a participação de Sandy Denny criam uma conversa de vozes em terreno enevoado. “Going to California” leva a delicadeza para mais perto, com violão e bandolim acompanhando um canto que aceita a dúvida. A mudança de escala permite perceber como a banda sabia sustentar a atenção sem recorrer ao volume.

Uma escada entre o íntimo e o monumental


“Stairway to Heaven” acabou adquirindo um tamanho que dificulta reencontrá-la como canção. Décadas de execução, reverência e paródia se acumularam sobre sua introdução. Ainda assim, vale ouvi-la dentro do álbum, acompanhando a entrada gradual dos instrumentos até a guitarra assumir o primeiro plano.

O solo de Page tem direção e impaciência, e a bateria de Bonham transforma a subida em acontecimento físico. Depois, resta a voz. Essa retirada final dá à faixa uma vulnerabilidade que a fama de monumento costuma esconder.

O disco também comporta passagens menos cercadas de cerimônia. “Misty Mountain Hop” encontra nos teclados de John Paul Jones um balanço insistente, enquanto “Four Sticks” trabalha uma pulsação desconfortável, quase circular. São peças fundamentais para que o álbum respire além das músicas que se tornaram obrigatórias no repertório do rock.

A enchente fica para o fim


“When the Levee Breaks” encerra o percurso com uma bateria que parece alterar as dimensões do cômodo. O blues de Kansas Joe McCoy e Memphis Minnie ganha uma leitura lenta, densa, atravessada pela gaita de Plant. O som avança como algo difícil de deter.


É um fechamento que ajuda a compreender a permanência de Led Zeppelin IV. Page, Plant, Jones e Bonham encontram maneiras diferentes de ocupar o espaço: uma guitarra pode erguer uma parede ou deixar passar ar; a voz pode comandar a sala ou parecer perdida dentro dela.


Cinquenta e cinco anos depois, o disco ainda merece uma escuta longe da obrigação de confirmar sua grandeza. Colocar o lado A, virar o vinil, ou simplesmente resistir ao botão de pular, permite reencontrar uma banda trabalhando suas contradições. A eletricidade continua forte. O que acontece quando ela baixa talvez seja ainda mais interessante.

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