Se a noite de sábado pede um filme que vá além do entretenimento fácil, Taxi Driver, disponível na HBO MAX, é a escolha é inevitável. Cinco décadas depois de seu lançamento, o longa dirigido por Martin Scorsese permanece como um retrato incômodo da solidão urbana, da violência latente e do colapso psicológico de um homem à deriva.
No centro da história está Travis Bickle, interpretado de forma visceral por Robert De Niro. Veterano da Guerra do Vietnã, ele trabalha como taxista nas madrugadas de Nova York, cruzando uma cidade suja, decadente e moralmente fragmentada. A câmera de Scorsese transforma a metrópole em personagem, um organismo febril que pulsa neon, lixo e desespero.
A famosa cena do espelho (“You talkin’ to me?”) já ultrapassou o cinema e virou símbolo de um personagem que conversa mais com seus fantasmas do que com o mundo real.
O que torna Taxi Driver eterno não é apenas sua atmosfera sombria ou a trilha melancólica de Bernard Herrmann. É a forma como o filme antecipa discussões sobre alienação, radicalização e culto ao “anti-herói”. Travis não é exatamente vilão nem herói, é produto de abandono, frustração e delírio. A obra deixa o espectador desconfortável, questionando até que ponto a sociedade fabrica seus próprios monstros.
Rever Taxi Driver hoje é perceber que sua Nova York dos anos 70 ecoa nas grandes cidades atuais. A sensação de isolamento, mesmo cercado por milhões de pessoas, nunca pareceu tão contemporânea.
Para quem busca um clássico intenso, provocador e cinematograficamente impecável, a dica da noite está pronta, e continua olhando de volta para o mundo com a mesma inquietação de 50 anos atrás.