Em fevereiro de 1989, a União Soviética anunciou oficialmente a retirada de suas tropas do Afeganistão, encerrando quase uma década de ocupação iniciada em 1979. O conflito, marcado por guerrilhas, tensões da Guerra Fria e milhares de mortos, deixava cicatrizes profundas na geopolítica mundial. Mas, antes mesmo do último soldado cruzar a fronteira, o cinema já havia transformado aquele fato histórico em narrativa de ação.
Lançado em 1988, Rambo III, disponível na rede Telecine, levou John Rambo ao deserto afegão para lutar ao lado dos mujahidins contra o Exército Vermelho. No auge da retórica antissoviética dos anos 80, o filme traduziu o conflito em linguagem direta: bem contra mal, herói solitário contra império opressor. Explosões coreografadas, helicópteros abatidos e frases de efeito simplificavam um cenário político extremamente complexo.
A retirada soviética, no entanto, mostrou que a realidade era menos cinematográfica. O Afeganistão mergulharia em novos ciclos de violência, culminando em transformações que o mundo ainda tenta compreender.
Rever Rambo III hoje é enxergar como Hollywood capturou, e de certa forma distorceu, um momento histórico, convertendo tensão geopolítica em mito muscular.
Entre o fato histórico e o blockbuster, fica a lembrança de como o cinema não apenas reflete seu tempo, mas também o ajuda a moldar.