Uma das séries mais longevas da televisão mundial, The Simpsons não deve ganhar um episódio final tradicional. A declaração é do showrunner Matt Selman, que revelou em entrevista recente que a produção (atualmente em sua 37ª temporada) “nunca” foi concebida para caminhar rumo a um encerramento definitivo.
Segundo Selman, a própria lógica da série impede uma conclusão convencional. Em vez de desenvolver uma narrativa linear que culmina em despedida, o universo de Springfield funciona como um ciclo contínuo: personagens não envelhecem, eventos não deixam marcas permanentes e a cronologia é flexível. “Não faz sentido produzir um finale sentimental para uma série que sempre se reinventa semanalmente”, afirmou.
A equipe criativa já chegou a brincar com a ideia de um encerramento, mas apenas como paródia. O episódio “Bart’s Birthday”, exibido na estreia da 36ª temporada, simulou um grande desfecho reunindo teorias e situações exageradas: morte do Sr. Burns, fechamento da taverna do Moe, aposentadoria do diretor Skinner e até Maggie finalmente falando. O capítulo ainda contou com participação de Conan O'Brien, ex-roteirista da animação, e apresentou uma inteligência artificial fictícia chamada HackGPT criando finais cada vez mais absurdos.
Para Selman, esse episódio funcionou como uma resposta definitiva ao público: um “anti-final” que reforça a ideia de que Springfield não precisa de despedida. Caso o fim aconteça algum dia, ele imagina algo discreto, apenas a família reunida, talvez com alguns easter eggs, mas sem discursos emocionados ou grandes resoluções.
Enquanto o adeus não entra em pauta, a série segue acumulando recordes na programação da Fox Broadcasting Company. O próximo marco será o 800º episódio, com participações especiais de nomes como Quinta Brunson, Kevin Bacon, Questlove e o grupo Boyz II Men.
Em Springfield, ao que tudo indica, o tempo não passa, ele apenas reinicia.