Mais de duas décadas depois de reconstruir as últimas horas de Jesus em A Paixão de Cristo, Mel Gibson pretende ampliar a narrativa bíblica para territórios metafísicos. O ator e diretor revelou que os dois filmes de The Resurrection of the Christ explorarão diferentes dimensões espirituais e adotarão o inglês como idioma principal.
A decisão representa uma ruptura com o longa de 2004, cujos diálogos foram gravados em aramaico, hebraico e latim. Em entrevista ao programa Arroyo Grande Show with Raymond Arroyo, Gibson explicou que a complexidade teológica da ressurreição o levou a escolher uma língua mais acessível ao público, evitando que as legendas disputassem atenção com os conceitos apresentados.
A história não ficará restrita aos acontecimentos na Terra. Segundo o cineasta, a jornada passará pelo período anterior à criação, pelo chamado limbo dos justos e pelo inferno dos condenados. A narrativa deverá avançar e recuar no tempo para conectar esses espaços à ressurreição de Cristo.
Novo elenco assume personagens bíblicos
A produção terá um elenco diferente daquele visto no primeiro filme. O finlandês Jaakko Ohtonen substituirá Jim Caviezel no papel de Jesus, enquanto Mariela Garriga interpretará Maria Madalena, personagem vivida anteriormente por Monica Bellucci.
Kasia Smutniak será Maria, mãe de Jesus; Pier Luigi Pasino interpretará Pedro; Riccardo Scamarcio viverá Pôncio Pilatos; Gabriele Rollo aparecerá como João; e Eduardo Scarpetta assumirá o papel de Paulo. Rupert Everett também integra o elenco.
As filmagens das duas partes foram realizadas simultaneamente e encerradas em abril de 2026, após 134 dias de trabalho em locações italianas, incluindo Roma, Bari, Matera, Ginosa, Craco e Brindisi. Gibson também assina o roteiro ao lado de Randall Wallace, colaborador de Coração Valente.
Estreias ocorrerão em datas do calendário cristão
The Resurrection of the Christ: Part One tem lançamento marcado para 6 de maio de 2027. Já a segunda parte chegará aos cinemas em 25 de maio de 2028. As duas datas coincidem com a celebração da Ascensão de Cristo nos respectivos anos.
Os lançamentos haviam sido inicialmente programados para ocorrer com apenas 40 dias de intervalo em 2027, mas a Lionsgate alterou o calendário e transferiu o segundo capítulo para o ano seguinte.
Lançado em 2004, A Paixão de Cristo arrecadou mais de US$ 610 milhões mundialmente e recebeu três indicações ao Oscar. O filme também provocou debates pela representação extremamente gráfica da crucificação e por acusações de antissemitismo. Agora, Gibson troca o realismo físico do sofrimento por uma proposta mais espiritual, não linear e visualmente ambiciosa.
Atualmente, o longa está disponível para assinantes da Netflix, Telecine e Sony One.